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Este Código de Ética estabelece os princípios e as diretrizes de conduta para praticantes de montanhismo, escalada e slackline, visando promover a segurança, o respeito ao meio ambiente e a harmonia entre os praticantes, buscando orientar a atuação responsável e consciente em todas as atividades.
I. Respeito ao Meio Ambiente
A conservação da natureza é um pilar fundamental da ética nas atividades outdoor.
Leve de volta todo o lixo produzido (orgânico e inorgânico). Não deixe para trás embalagens, restos de comida, fitas de escalada, pedaços de corda ou qualquer outro material.
Caminhe e escale em trilhas e vias estabelecidas. Evite abrir novas trilhas ou degradar a vegetação. Em áreas sensíveis, utilize apenas as áreas permitidas para acampamento e bivaque.
Não perturbe a fauna e a flora local. Mantenha distância dos animais e evite alimentá-los. Não colete plantas ou rochas.
Enterre fezes humanas em covas rasas (15-20 cm) longe de fontes de água, trilhas e acampamentos. Leve o papel higiênico consigo.
Sempre que possível, evite fazer fogueiras. Se for indispensável, utilize apenas locais designados e certifique-se de que o fogo esteja completamente apagado antes de sair.
II. Segurança e Responsabilidade
A segurança é primordial e a responsabilidade individual e coletiva garante a integridade de todos.
Busque constante aprimoramento técnico e teórico. Pratique apenas atividades para as quais você tem o treinamento e a experiência necessários. Entenda os riscos envolvidos e saiba como mitigá-los.
Utilize sempre equipamentos de segurança homologados, em bom estado de conservação e adequados para a atividade. Faça a manutenção e a inspeção regular dos seus equipamentos.
Pratique com parceiros confiáveis e mantenha uma comunicação clara e constante. Em grupo, a decisão mais conservadora deve prevalecer em caso de divergência.
Tenha um plano de emergência em caso de acidentes. Leve consigo um kit de primeiros socorros, saiba como usá-lo e informe alguém sobre seu roteiro e horário estimado de retorno.
Seja honesto sobre suas próprias habilidades e limitações, e respeite as dos seus parceiros. Não force situações que possam comprometer a segurança.
Avalie constantemente as condições meteorológicas, do terreno e do equipamento. Esteja preparado para desistir de uma atividade se as condições não forem seguras.
III. Conduta e Respeito Mútuo
A convivência harmoniosa no ambiente natural e entre os praticantes é essencial.
Trate outros praticantes, guias e comunidades locais com respeito e cortesia. Reconheça que o espaço é compartilhado.
Em vias de escalada e trilhas, ceda passagem a quem estiver subindo. Em escalada, quem está em uma via ou bloco tem prioridade para terminar.
Contribua para um ambiente tranquilo, evitando ruídos excessivos, música alta e gritos desnecessários.
Use o mínimo de magnésio necessário e, se possível, opte por magnésio colorido que se misture com a rocha para minimizar o impacto visual. Evite deixar marcas excessivas de magnésio.
Compartilhe seus conhecimentos e experiências de forma construtiva, incentivando a prática responsável e segura entre os novatos.
IV. Responsabilidade Social e Legal
Cumpra as leis e regulamentos aplicáveis e contribua para a comunidade.
Obtenha as permissões necessárias e respeite os regulamentos de acesso a parques, áreas de conservação ou propriedades privadas.
Nunca abandone um parceiro em necessidade ou em perigo.
Participe de iniciativas de limpeza, manutenção de trilhas e vias, e apoie organizações que trabalham pela conservação e pelo desenvolvimento do esporte.
Denuncie atividades irresponsáveis ou que causem danos ao meio ambiente ou a terceiros.
V. Pontos de segurança
Durante uma conquista deve ser observado o posicionamento dos pontos de segurança, de modo que em hipótese alguma de queda, o escalador toque o solo, arestas ou saliências, representando perigo à sua própria integridade;
É proibida a adição de pontos de segurança em escaladas já conquistadas, sem autorização dos conquistadores;
Em caso de regrampeação os escaladores não possuem poder algum para descaracterizar qualquer rota, transferindo a original proteção dos pontos de segurança, de acordo com o artigo primeiro anterior;
A utilização de dupla proteção nos pontos de parada é um fator que diminui a ocorrência de acidentes e deve ser sempre observada;
Sempre que possível os pontos de rapel devem ser comuns à várias escaladas;
Os pontos de segurança estão sujeitos às intempéries e devem merecer constantes observações todo início de uma escalada;
Um ponto de segurança visivelmente mal colocado, deve ser evitado e informado à Associação para a sua substituição de acordo com o artigo segundo deste;
VI. Ética e Estilo
Ética e estilo nunca devem ser confundidos, sendo que ética são regras que definem uma atitude ou postura diante do esporte e ao meio e é flexível de uma região para outra. O estilo faz parte das características de cada escalador, ilimitado e autojustificado na relação de movimentos ao realizar uma escalada;
Corda de cima, Hang Dog, Pink Point, Red Point e Solo, ficam classificados como estilo reservado de cada escalador que saberá definir seus limites, sendo porém mundialmente conhecido como melhor estilo o On Sight guiando;
VII. Conquista
Nenhum escalador possui o direito de reservar para si qualquer rota ou pedaço de pedra, somente se estiver colocando evidentes esforços para efetivação de seus objetivos, seja aproximação, ou colocação de grampos. Em caso da modificação das intenções o escalador tem a responsabilidade de expressá-las à comunidade local, deixando-a aberta a todos;
Toda conquista deverá ser divulgada no catálogo que deve ser editado anualmente;
VIII. Graduação
Todo grau de escalada deve ser considerado On Sight;
As graduações de artificiais devem estar dentro dos padrões, fator H e segurança expostos no catálogo local;
IX. Moralidade
Todo escalador deve utilizar de sua liberdade, usufruindo de seu espaço respeitando o próximo;
Todo escalador tem o dever de prestar auxílio em caso de iminente perigo;
Todo escalador tem o dever moral de transmitir uma boa atitude em relação à montanha e à prática do esporte;
X. Vias de escalada e linhas de highline
Em períodos de estação chuvosa, é fundamental que a comunidade de escaladores evite escalar as vias em rocha do tipo arenito. Isso se deve ao elevado grau de absorção de água que o arenito possui, o que o torna significativamente mais suscetível à erosão e danos nesse período. A escalada em arenito molhado pode acelerar o processo de desgaste da rocha, comprometendo a integridade das vias e, consequentemente, a segurança de futuras escaladas e a sustentabilidade ambiental do local. Preservar essas formações rochosas é uma responsabilidade compartilhada que garante a continuidade da prática da escalada e a proteção do patrimônio natural.
É crucial que, em vias de escalada onde ninhos de animais ou insetos inviabilizem a prática, a comunidade de escaladores comunique imediatamente a associação local. Esta comunicação é vital para que, em conjunto, sejam determinadas as melhores alternativas, garantindo que a escalada não cause impactos negativos à biodiversidade local e ao meio ambiente.
Revisão 1. 22 de abril de 2026